Antropomorfização – O que é isso?

 

 

 

 

 

 

 

 

O que é antropomorfismo?
É atribuir características e sentimentos humanos aos animais.

O Antropormofismo aparece em nossas vidas de uma forma muito forte já nos desenhos animados da nossa infância. Quem não se lembra dos desenhos da Disney com Mickey, Pluto, Minie e suas vidas “humanas”? Sim, a antroporfização (humanização) fica enraizada em todos nós. Mas o tempo e a vida se encarregam de nos dar ferramentas para separar as coisas.

Tratamos nosso cão como filho afinal ele faz parte da nossa família e cria-se um elo de amor e confiança inabalável entre as duas espécies o que é totalmente saudável e recomendável, mas…

A humanização começa antes mesmo do cão chegar em casa. Para a pessoa que humaniza, o processo começa assim que ela planeja ou imagina um cão pra ela, já projeta tantas expectativas no futuro parceiro que chega a ser injusto. Eu acredito que todo problema da humanização começa pelo motivo que leva alguém a ter um cão. O que se espera dessa relação?

Dificilmente pessoas que humanizam vão responder: “eu quero fazer caminhadas, socializar meu cão, praticar alguma atividade, que brinque na terra, se suje de lama, brinque com outros cães e deixar que ele seja cão da forma mais saudável possível”.

Agora uma pergunta: Pq os cães de roupinha são “tão lindinhos”?

Sim, pq eles ficam parecidos com crianças, bebês. Então o cão passa a ser aquele bebê eterno. A necessidade de algumas pessoas em se sentirem úteis, amadas e saber que irão ser tornar imprescindíveis para um ser é na maioria das vezes mais forte que o bom senso se isso não for bem dosado. Roupas em cães são bem vindas nos casos de peludos que sentem muito frio, idosos, doentes ou com algum problema clínico ou dermatológico que justifique o uso.

Ter cães é saudável, amar cães é saudável, cuidar deles idem, mas não podemos dizer o mesmo de NENHUMA relação que crie dependência, ansiedade, insegurança ou agressividade.

Sempre dizemos que a relação do ser humano com seu cão é uma relação de amor e respeito e é de fato! Mas… se a pessoa prefere dar uma festa de aniversário para um cão do que um simples passeio no parque, essa pessoa realmente está respeitando as necessidades do cão ou agradando a sim mesma?

A humanização começa quando as pessoas se preocupam muito com o lado emotivo (o que é extremamente importante, mas não é a única face da moeda) do que oferecer o seu peludo precisa. Respeitar seu cão significa amar sim, mas também oferecer condições para que ele cresça saudável física e mentalmente.

Na maioria dos casos que atendo de cães humanizados o que vejo são animais que não sabem se relacionar, adquirem fobias, medos excessivos, agressividade, obsessão, agressividade e alguns macho até podem ignorar cadelas no cio por não saberem o que fazer. Ele simplesmente não se vê igual a uma espécie canina.

Cães que são humanizados podem desenvolver uma série de problemas comportamentais como: agressividade, compulsão, obsessão, ansiedade de separação, agressividade motivada pela insegurança (o que pode muitas vezes levar a mordidas),etc. O problema é que os donos que humanizam, sempre arranjam uma desculpa para esses comportamentos e preferem não assumir sua responsabilidade e por ser mais confortável e por dessa forma satisfazer muito mais suas necessidades (as do dono), preferem deixar tudo como está mas no fundo, os donos sabem de fato o que estão fazendo.

Muitas pessoas abominam pássaros em gaiolas, mas fazem exatamente isso com seus cães. Os mantém limitados em suas casas e apartamentos oferecendo somente o que julga ser necessário e pior, oferecendo prisão e dependência, pq isso é exatamente o que o humano precisa para suprir suas carências mas não é o que o cão merece.

Cães gostam e precisam brincar com outros, correr atrás de bola, rolar na terra, caminhar, sentir os odores do mundo. Ele é um ser sociável e sempre será. O problema é quando se substituí essas atividades por uma “vida humana”, estamos diretamente contribuindo para que os cães passem a achar isso “normal”, inibindo assim seus instintos e necessidades. Assim cria-se um cão frustrado, inseguro, mimado que não sabe conviver com um mundo real.

Pense e responda com sinceridade: Quando coloca-se uma roupinha no cão, quando se faz festa de aniversário para seu filho peludo, de quem é a satisfação? Quem nessa história fica feliz de verdade?

Elaine Natal

 

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